Adolescentes que cumprem medidas socioeducativas são selecionados para estágio na Defensoria Pública


Jovens foram escolhidos através do projeto Ensina-me a Sonhar, desenvolvido pela DPE-AM no Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa

“É uma oportunidade de mudar de vida. Espero crescer e ter um futuro digno e honesto”. Assim o adolescente João (nome fictício) explica o significado do estágio na Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) oferecido a ele por meio do projeto Ensina-me a Sonhar, desenvolvido pela instituição no Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa. Ele é um dos três jovens selecionados pelo projeto para um estágio de Nível Médio na DPE-AM, que inicia na próxima segunda-feira, dia 18 de setembro.

Na manhã desta sexta-feira, dia 15 de setembro, os adolescentes participaram de uma solenidade de boas-vindas na sede da Defensoria Pública, com a presença do defensor público geral do Estado, Rafael Barbosa, e das defensoras públicas coordenadoras do projeto, representantes da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), do Dagmar Feitosa e de palestrantes que participam do projeto.

Os familiares dos adolescentes também participaram das boas vindas. “Eu só tenho a agradecer a todas as pessoas que ajudaram meu filho a sair dessa vida e a estar aqui nesse momento. Não foi só ele que ficou preso, a família também fica, mas a gente nunca desistiu dele. Creio que daqui para frente será tudo diferente”, disse a cobradora de ônibus Maria (nome fictício), mãe de João.

Levando palestras ao Centro Socioeducativo e promovendo um bate-papo entre profissionais de diversas carreiras que enfrentaram dificuldades na vida e os adolescentes internos na unidade, o projeto Ensina-me a Sonhar tem o objetivo de motivar dos jovens a buscar um futuro longe da criminalidade. O objetivo é reduzir os índices de reincidência.

Para o defensor público geral do Amazonas, Rafael Barbosa, o Ensina-me a Sonhar é um projeto que coloca a Defensoria Pública em seu devido lugar, que é o de agir como transformador da sociedade. “Temos aqui, talvez, o mais importante projeto da Defensoria Pública se concretizando, com os jovens podendo se transformar, ao trabalhar ajudando a população que mais precisa”, afirmou.

O defensor público geral também ressaltou o engajamento e proatividade das defensoras públicas que coordenam o projeto, Juliana Linhares, titular da Defensoria Pública Especializada na Execução de Medidas Socioeducativas, Monique Cruz, titular da 7ª Defensoria Pública Criminal de 1º Grau, e Dâmea Mourão Telles, titular da 6ª Defensoria Pública de Atendimento Cível.

Os jovens que participarão do estágio foram selecionados no Dagmar Feitosa, onde o projeto é desenvolvido desde o mês de abril deste ano, pela assiduidade, interesse nas atividades do projeto e bom desempenho do programa Teens ao Máximo, iniciativa do Dagmar Feitosa também voltada para a ressocialização.

“Foi muito legal conversar com outras pessoas que enfrentaram dificuldades na vida, como a gente, e ver que eles conseguiram mudar de vida. Eu vou conseguir também”, afirmou Mário (nome fictício), outro adolescente que vai estagiar na Defensoria Pública.

O jovem, que cometeu uma tentativa de homicídio, passou 1 ano e dez dias interno no Dagmar Feitosa e agora está em semiliberdade, está prestes a concluir o Ensino Médio e diz que espera do estágio ganhar experiência de trabalho e, mais tarde, se formar para ser técnico de informática.

Ao todo, serão selecionados 10 adolescentes até o final de 2017. Dois dos três primeiros adolescentes já selecionados vão estagiar no núcleo criminal da DPE-AM, e um na unidade da instituição na Casa da Cidadania, sob a supervisão de defensoras públicas que coordenam o projeto. Na solenidade de boas-vindas, os jovens receberam kits para atuarem no estágio, que incluem uma camisa do projeto.

Os adolescentes vão acompanhar os atendimentos realizados pela Defensoria Pública e exercerão atividades administrativas. O estágio terá duração de um ano e os adolescentes receberão uma bolsa de Nível Médio, no valor de R$ 500, já incluído o auxílio-transporte. “Essa é uma oportunidade que ninguém pode abrir mão. É uma porta para a mudança de vida”, diz João, que ficou interno no Dagmar Feitosa por 1 ano e 8 dias por ter cometido um roubo majorado e agora está em liberdade assistida.

A defensora pública Juliana Linhares falou do desejo dela e das outras defensoras públicas que coordenam o projeto de desenvolver um projeto de ressocialização dentro do Dagmar Feitosa e agradeceu aos palestrantes que atuam no Ensina-me a Sonhar, como a missionária Martha Botelho, que é ex-presidiária. Os palestrantes também foram homenageados na solenidade e receberam certificados pela participação no projeto.

Também participaram da solenidade o subdefensor geral do Estado, Antonio Cavalcante, o diretor do Dagmar Feitosa, Antonio Juracy Maciel, o diretor do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), Algemiro Ferreira, e a secretária executiva da Sejusc, Socorro Cavalcante.

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