Adolescentes do Projeto Ensina-me a Sonhar celebram começo de uma vida nova em excursão ao Musa


Projeto da DPE-AM visa a ressocialização de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas e dá oportunidade de estágio na instituição

Seis adolescentes do Projeto Ensina-me a Sonhar que conquistaram a oportunidade de estagiar na Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) celebraram o começo de uma nova vida com um passeio no Museu da Amazônia (Musa), na sexta-feira, dia 02 de março. O jovens foram acompanhados pelo defensor público-geral, Rafael Barbosa, e pelas defensoras públicas Dâmea Mourão e Monique Cruz, que coordenam o projeto juntamente com Juliana Lopes, também defensora pública.

Os jovens nunca tinham ido a um museu e, ao conhecer o Musa, se encantaram e ficaram atentos às explicações do guia sobre os animais e a vegetação característica da Amazônia. “Que peixe grande é esse?”, perguntou Ronaldo (nome fictício), impressionado com um pirarucu exposto em um dos aquários do museu.

Eles também se impressionaram com insetos, como a formiga Tucandeira. “Caramba, essa não é aquela formiga que os índios colocam na mão?”, questionou Marcelo (nome fictício), depois de ouvir sobre a dolorosa ferroada e se referindo ao ritual indígena. E ainda ficaram curiosos com os objetos indígenas em exposição, como diversos tipos de matapis, armadilhas usadas na pesca. “O que é isso? É bonito, vou até tirar umas fotos!”, disse Ronaldo novamente.

Os adolescentes, que cumpriram medidas socioeducativas no Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa, participam do projeto Ensina-me a Sonhar, iniciativa da DPE-AM, que visa a ressocialização, e foram selecionados pelo seu bom desempenho e comportamento.

Lançado em 27 de abril de 2017, no Dagmar Feitosa, o projeto utiliza atividades práticas e bate-papo com profissionais de diversas áreas de carreira para levar motivação e esperança para adolescentes que erraram, mas já cumpriram sua dívida com a Justiça, estando aptos a voltar ao convívio com a sociedade e em busca oportunidades para novos caminhos. Por meio do projeto, os jovens podem ser selecionados para estágio dentro da Defensoria Pública.

Para o defensor público-geral, Rafael Barbosa, o intuito desse tipo de projeto é ressocializar os adolescentes. “Nós, da Defensoria, imaginamos que o que falta para essa juventude é oportunidade. Como eles vêm de uma camada da sociedade que não tem tantas oportunidades, o projeto busca justamente isso, dar opção para que eles encontrem na Defensoria um lugar onde sejam tratados de forma digna e onde tenham efetivas oportunidades”, afirmou.

E é justamente a oportunidade de vida nova que os adolescentes ressaltam ao expressar o que de mais importante o projeto tem trazido para suas vidas. “É uma mudança radical. E para muito melhor”, disse em alto e bom som João (nome fictício), que cumpriu medida socioeducativa e hoje, aos 19 anos, está estagiando em umas das unidades da Defensoria e cursando Processos Gerenciais em uma faculdade particular. “Fiz o processo seletivo e consegui uma bolsa de estudo de 50%, mas estou batalhando pela bolsa de 100%. É uma mudança bem radical, ainda mais se a gente for pensar de onde eu vim”, relatou.

Para José (nome fictício), outro jovem de 19 anos, o projeto tem significado aprendizado e o surgimento de um caminho a trilhar na vida. O adolescente revela que nunca tinha ouvido falar em Defensoria Pública antes do projeto que o acolheu no Dagmar Feitosa e que agora está aprendendo muito sobre os direitos dos adolescentes e crianças no estágio na Defensoria Pública Especializada da Infância e Juventude Cível. Agora, José sonha em cursar Direito. “O projeto me trouxe uma opção de profissão, uma ideia de por onde seguir. Eu não tinha muita ideia do que fazer daqui para frente. Estou me interessando pelo Direito, quem sabe, né, quando terminar o Ensino Médio”, disse.

O projeto

Coordenado pelas defensoras públicas Juliana Lopes, Dâmea Mourão e Monique Cruz, o Ensina-me a Sonhar já atendeu, até dezembro de 2017, 120 adolescentes que cumprem medidas socioeducativas. Neste período, foram 07 jovens selecionados e já estão estagiando na DPE-AM. Ao longo de seu primeiro ano, passaram pelo projeto 16 palestrantes de diversas áreas de carreira, que compartilharam com os adolescentes suas histórias de vida e de superação de dificuldades.

Para 2018, a DPE-AM estendeu o projeto, com mais 5 vagas de estágio, além das 10 já previstas para o Dagmar Feitosa. O Ensina-me a Sonhar também chegará a outros dois centros socioeducativos, o Senador Raimundo Parente, onde serão selecionados 3 estagiários, e o Marize Mendes, onde serão selecionados 2.

“Além das vagas para estágio, vamos dar uma atenção maior para os adolescentes selecionados, interferindo mesmo, com os 15 estágios do projeto, acompanhando-os de perto para evitar a reincidência, verificar como anda a reinserção na família e o tratamento que eles recebem nos locais onde estão estagiando”, afirmou a defensora pública Monique Cruz.

Os adolescentes que participam do estágio desenvolvem atividades em núcleos variados da DPE. “Vemos que as atividades do projeto foram ótimas para os adolescentes e eles têm tido um bom desempenho, com um olhar diferenciado para o público que a Defensoria atende”, concluiu Monique Cruz.

Dois dos estagiários iniciaram as atividades em setembro de 2017, dois em dezembro e três em janeiro deste ano. Eles estão estagiando na Defensoria de Atendimento a Criança e Adolescente (1), Defensoria de Atendimento a família no PAC Via Norte (2), Defensoria de Atendimento a família no PAC Alvorada (1), Defensoria de Atendimento a família do PAC da Compensa (1), Defensoria de Atendimento Civil do PAC Cidade Leste (1) e Defensoria de Atendimento ao Consumidor do PAC Cidade Leste (1).

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